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O velho problema da pobreza

A pobreza é um fenômeno observado em todos os períodos da história da humanidade e sempre existiram pessoas que sofreram com seus efeitos e, de outro lado, pessoas que se beneficiaram dos efeitos da riqueza.

Todos precisam de alimentação adequada, serviços de saúde, educação, moradia, segurança, lazer, além do acesso à informação e formas de inclusão e socialização para terem qualidade de vida. No entanto, estes serviços e recursos são experimentados de forma diferente gerando desigualdades sociais.

Eis aí uma face do problema da pobreza, ela retira de muitas pessoas oportunidades que deveriam ser para todos, provoca discriminação e dificulta a inclusão ao colocar pessoas com perfis semelhantes para ocuparem espaços de decisão nas escolas, universidades, igrejas, hospitais e vários outros ambientes sociais, perfis esses que não refletem o que podemos observar em grande parte da população.

Oportunidades diferentes geram desigualdades em todas as esferas da sociedade. Por este motivo os efeitos da pobreza são materializados no espaço geográfico, sendo possível diferenciar residências por meio do material de acabamento, energia elétrica, e esgotamento sanitário, dentre outros.
Ao olhar para a situação da pobreza, em pleno século 21, poder-se-ia dizer que fazemos parte de uma sociedade fracassada, que não teve capacidade de se organizar de tal forma que fosse possível reduzir as desigualdades sociais e evitar a fome que assola milhões de crianças e adultos no mundo, causando milhares de mortes diariamente.

Abraham Kuyper, teólogo, jornalista e estadista cristão, profere, em seu famoso discurso para o Congresso Social (1891), as seguintes palavras:

“Onde pobres e ricos se encontram frente a frente, Ele nunca escolhe seu lugar entre os mais abastados, mas se associa sempre aos pobres”.

As fortes palavras de Kuyper traz consigo duas grandes revelações. A primeira, pela preocupação de Deus para com os pobres e a segunda pela “preferência” de Deus quando se associa aos menos favorecidos, algo que é possível identificar ao longo de toda narrativa bíblica. Neste sentido, fica evidente o papel das instituições perante as questões sociais.

Em Belo Horizonte, o Núcleo de Inteligência Social (NIS), parceria entre ChildFund Brasil e Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, criou o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que permite identificar os municípios com maiores pobrezas multidimensionais. Todo processo de criação do índice foi estruturado por metodologia sugerida pela Universidade de Oxford. Ao término, o índice considerou 13 indicadores: Frequência Escolar, Distorção Idade-Série, Escolaridade para a Dimensão Educação, os indicadores Trabalho Infantil, Desocupação, Trabalho Informal na Dimensão Trabalho, Mortalidade Infantil na Dimensão Saúde e por fim, a Dimensão Padrão de Vida com os indicadores de Material de Domicílio, Água, Saneamento Básico, Coleta de Lixo, Densidade Morador/Dormitório e Consumo. É importante destacar que o índice foi criado usando dados de domicílios com crianças de até 11 anos, a fim de mostrar onde se concentram as maiores vulnerabilidades.

A região Nordeste do Brasil concentra as piores situações de pobreza multidimensional. No estado do Maranhão (mapa 1) é possível identificar que na porção Norte, com as mesorregiões denominadas Centro e Oeste se concentram os maiores IPM, ou seja, onde é observada maior incidência de população em extrema pobreza. No estudo completo (disponível em nis.org.br) é possível identificar os municípios que precisam de uma intervenção social mais imediata.

As guerras, conflitos e pandemias amplificam e evidenciam os problemas sociais que afetam toda a população. Situações como a que estamos vivenciando agora, em relação à Covid-19, podem aumentar a pobreza no Brasil. Dados de 2018 (IBGE), mostram que cerca de 53 milhões de pessoas estavam abaixo da linha da pobreza, ou seja, viviam em domicílios com menos de metade do salário mínimo, e deste montante, 13,5 milhões sobreviviam com até um quarto do salário mínimo, os considerados extremamente pobres.

Diante da pandemia, o Banco Mundial estima que cerca de 7% da população brasileira chegará ao final de 2020 sobrevivendo com menos de um quarto do salário mínimo, ou seja, em situação de extrema pobreza. Considerando a população estimada pelo IBGE em 2020, totalizariam cerca de 14,7 milhões de pessoas, um aumento de 1,2 milhões de extremamente pobres. Por fim, com aumento do número de pobres e extremamente pobres, o Brasil está voltando ao radar de instituições internacionais, por demonstrar uma incapacidade quanto ao controle da pobreza.

 Mensagem ChildFund Brasil

Mediante as mudanças globais e aumento da pobreza a igreja tem um papel fundamental em exercer a Práxis da Compaixão, e exercitar o que A Bíblia diz em Provérbios 14:31:

“O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador; mas honra-o aquele que se compadece do necessitado”.

Para isto o ChildFund Brasil criou o Projeto Ponte Social que em parceria com Igrejas Cristãs na implementação de um projeto de transformação social sustentável de longo prazo visando a mudança social daquela comunidade, por meio das tecnologias sociais desenvolvidas pelo ChildFund e a proclamação do Evangelho por parte das igrejas parceiras, levando a Palavra e transformação espiritual.

Autores

Cristiano S. de Moura é doutorando em geografia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e coordenador nacional de impacto social pela ChildFund Brasil. É membro do Núcleo de Inteligência Social (NIS/PUC Minas). Tem experiência na área de desenvolvimento social, monitoramento e avaliação de impacto, elaboração de indicadores e tratamento da informação espacial e o mais importante: seguidor de Cristo.

Paulo Fernando B. Carvalho é professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia-Tratamento da Informação Espacial da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e coordena o curso de Pós-Graduação em Geoprocessamento de Análise Espacial na mesma instituição. É membro do Núcleo de Inteligência Social (NIS/PUC Minas).

Nota KUYPER, Abraham. O problema da pobreza: a questão social e a religião cristã / (Abraham Kuyper, 1871) tradução de Minka Lopes – 1.ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020, p. 107. Publicado originalmente na Ultimato Online

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